Por que os Modelos de Linguagem Inventam Informações? Entenda os Processos Internos

Leandro Lopes
3 Min de Leitura
Por que os Modelos de Linguagem Inventam Informações? Entenda os Processos Internos

Modelos de linguagem como o Claude, amplamente usados para tarefas de automação e inteligência artificial, frequentemente geram respostas que parecem precisas, mas não têm base sólida nos dados de treinamento. Esse fenômeno, conhecido como “alucinação”, levanta dúvidas sobre a confiabilidade dessas ferramentas e os mecanismos que levam a essas falhas.

A Origem das Alucinações

Os modelos de linguagem, como o Claude, são projetados para prever a sequência mais provável de palavras com base no texto fornecido. Quando o modelo recebe um texto com informações amplamente representadas em seus dados de treinamento, ele é capaz de apresentar respostas mais precisas. No entanto, para tópicos menos comuns ou específicos, o modelo é “incentivado” a preencher lacunas com respostas plausíveis, criando informações fictícias.

A pesquisa realizada pela Anthropic destacou como certos circuitos internos do modelo, responsáveis por identificar entidades conhecidas, podem falhar. Em algumas situações, mesmo quando o modelo deveria optar por não responder, ele é “induzido” a fornecer conteúdo inventado. Essa falha está relacionada à ativação de recursos internos que suprimem o circuito de “não responder”, permitindo que o modelo confabule informações.

Reconhecimento de Entidades e Decisões do Modelo

Durante sua análise, os pesquisadores perceberam que os modelos ajustados para atuar como assistentes possuem circuitos específicos que evitam respostas quando os dados são insuficientes. No entanto, quando o modelo detecta uma “entidade conhecida”, como um nome famoso, ele tende a desativar esse bloqueio. Um exemplo disso é o comportamento do Claude ao ser questionado sobre o jogador de basquete Michael Jordan, onde ele acessa informações detalhadas associadas ao nome.

Por outro lado, quando confrontado com nomes fictícios, como “Michael Batkin”, o modelo pode alucinar informações. Ao manipular os pesos atribuídos a determinadas características nos neurônios do modelo, os pesquisadores conseguiram induzir alucinações controladas, demonstrando como o equilíbrio entre reconhecimento e supressão de respostas pode ser ajustado.

Limitações e Caminho para o Aperfeiçoamento

Ainda que essas descobertas sejam promissoras, compreender os processos internos de um modelo como o Claude continua sendo um desafio. A análise de pequenas interações pode levar horas e, mesmo assim, revelar apenas uma fração do funcionamento total do sistema. Para alcançar melhorias significativas, será necessário investir em pesquisas que aprofundem nossa compreensão sobre os circuitos internos desses modelos.

Enquanto isso, tecnologias baseadas em IA continuam a evoluir, com aplicações práticas em diversas áreas. 

Conclusão

A capacidade dos modelos de linguagem de gerar respostas relevantes e contextuais é impressionante, mas suas limitações em reconhecer o que “sabem” e “não sabem” ainda apresentam desafios. Entender o funcionamento interno desses sistemas é crucial para evitar alucinações e aprimorar a confiabilidade da inteligência artificial.

Compartilhe